domingo, 16 de janeiro de 2011

special needs.

Amar por pena, por dó, por piedade - de si mesmo, dos outros, tanto faz - não dá, cara. Tem que ser pela alma.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O medo também me paralisa. Eis o grande paradoxo.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Ando me surpreendendo com a capacidade que tenho de não precisar. Tanta coisa mudou em tão pouco tempo que eu reconheço em mim mesma algumas características que estavam escondidas há muito. A individualidade imensa, o desapego rápido, a facilidade de abrir mão. Não é que não me apegue, mas dificilmente me surpreendo. Raramente vejo alguma reação que não julgo previsível, e quando vejo, admiro, fico feliz que nem tudo esteja tão perdido assim e tento me manter por perto para, quem sabe, mais surpresas possam aparecer.

Mas, sinceramente, se tivesse que deixar de lado, não me importaria tanto.

Ando num dilema imenso comigo mesma. Tenho um confronto de opiniões, idéias e emoções que chegam a me deixar enjoada. Por mais que eu goste da independência, ninguém vive sozinho e eu não quero não precisar. Quero me encantar pela trivialidade dos atos, pela espontaneidade; quero voltar a gostar de gente, a ser gente.

Sinto como se eu tivesse inúmeras personalidades e que cada uma delas se revela conforme a situação faz necessário que seja. Não sei mais o que sou, mas não finjo o que não sou - e sei bem o que não faz parte de mim, o que não condiz com a minha personalidade que, aqui dentro, se mostra tão confusa.

Tenho medo. Ter medo, porém, não só me comove, como me move.

Sinto uma falta imensa das pessoas, de não achar tudo tão podre.

Eu, no meu infinito particular, sou múltipla. Mas não me basto.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011


“When it was done and I went to sleep, I lay awake and listened to the clock on your nightstand and the wind outside and understood that I was really home, that in bed with you was home, and something that had been getting close in the dark was suddenly gone. It could not stay. It had been banished. It knew how to come back, I was sure of that, but it could not stay and I could really go to sleep. My heart cracked with gratitude. I think it was the first gratitude I’ve ever really known. I lay there beside you and the tears rolled down the sides of my face and onto the pillow. I loved you then and I love you now and I have loved you every second in between. I don’t care if you understand me. Understanding is vastly overrated, but nobody ever gets enough safety. I’ve never forgotten how safe I felt with that thing gone out of the darkness.”
— Stephen King (Lisey’s Story)
E explodiu.
Explodiu e agora corrói tudo, porque sinto uma necessidade tão intensa de você. De você em mim; e olha que, apesar do duplo sentido, isso não foi perversão.
Mas, sabe?
Não, não sabe. Nem eu sei.
Só sei que... Não sei.
Penso tanto em você. Queria tanto você.
"Pára!", o grito se fez audível dentro da própria cabeça enquanto qualquer outra coisa mais calma e educada disfarçava o que realmente estava se passando. Por dentro, surtava. As mãos tremiam. Os pensamentos se confundiam. A urgência vibrava. "Pára, por favor... Pára esse mundo. Eu quero descer. Quero fugir. Quero mudar de vida. Quero que seja com você."
Num dia qualquer desses aqui, estava fuçando, fuçando, e acabei por te encontrar. Sem querer; te vi ali e não pensei, quis saber como estava sua vida, se continuava bem, se estava sorrindo, se tinha ido bem na prova, se continua desenhando, se ainda teria aquela mesma expressão de superioridade. Cansei de fingir que não aconteceu, que não te conheço bem, que não lembro do teu sotaque, das horas no telefone, da pessoa bonita que eu sei que você é.

Quis que você quisesse o mesmo.

Quis saber se ainda tinha aquela parte de mim, apesar da mágoa, dos teus mil casos, dos meus acasos, dos nossos erros - aquela mesma parte que ficou esquecida dentro de você e não volta, também não quero. Eu te doei, foi presente, pode ficar.

Não quis voltar. Apenas senti falta da tua segurança. De não te achar covarde. De escrever textos imensos sobre como eu te amava apenas por amar, sobre como as possibilidades se fariam reais só por existirem.

Você sempre teve os teus - e os meus - pés bem fincados no chão. Mas eu preferia voar.

Erramos, eu sei. No tempo, não na pessoa. E nos perdemos.

Então eu vi. Eu vi, e sorri, o sorriso meio-amargo-meio-doce que se dá quando descobre que a pessoa que já não se ama mais seguiu em frente, como você.

Vi tuas mãos nele. Vi aquele eu te amo meio carente que você despejou em mim tantas vezes. Ele é tão feio, Amor. Mas acho que tudo bem... Olhe só pra mim, você sempre teve mau gosto.

Só queria que soubesse que fico feliz por você. Que ainda te quero muito bem - de uma forma diferente, mais contida, amigável.

Não fique pensando aí que eu ainda giro em torno do seu mundo.

É só que esse novo eu queria conhecer aquele novo você.
“(…) and then I asked him with my eyes to say again yes and then he asked me would I yes to say yes my mountain flower and first I put my arms around him yes and drew him down to me so he could feel my breasts all perfume yes and his heart was going like mad and yes I said yes I will Yes.”
Não pareço, mas sou.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Primavera já foi e eu nem vi as flores desabrocharem esse ano. Pensei por alguns segundos que talvez viessem durante o Outono, meu Outono, amado e adorado.

Mas há algum tempo já a minha estação preferida deixou de representar a felicidade toda que eu sentia pelos dias estarem tingidos das minhas cores favoritas. Tantas coisas caíram junto com as folhas secas... Tantas lembranças levadas embora, tantos cheiros, tantos gostos - que hoje ocupam lugar apenas na memória.

E há algum tempo já eu peço, pelo amor de Deus - eu não te acredito mas alguma coisa lá no fim tem que existir... - que meu Outono volte com as tulipas e rosas vermelhas, que venha recheado de Primavera, Verão, Inverno. Que venha recoberto pelas flores que não vieram, pelos sabores que não provei, pelos cheiros que não senti...