sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O número conhecido pairava na pequena tela.

O aparelho celular precisou vibrar três ou quatro vezes antes que sua proprietária o pegasse em mãos.

- Alô? – Falou, a firmeza forjada em sua voz para uma tentativa – frustrada, deve-se ressaltar – de não parecer abalada pela surpresa que era receber um sinal de existência daquela pessoa que tanto adorava. Suas pernas bambearam e ela apoiou-se no balcão próximo, esperando a resposta que não veio.

Não viria.

Encolheu os ombros. Queria algo a mais; nunca estava satisfeita com o que tinha. A respiração tornou-se pesada devido à possibilidade de ouvir o som que a confortava em algumas poucas noites não-tão-vazias, quando a outra pessoa estava ali também.

Nada.

Um minuto.

Achou que fosse um engano, que talvez tivesse apertado a discagem automática sem a intenção de realmente falar com ela. Por acidente. Os olhos marejaram, revelando ali coisas que ela preferia não sentir.

- Ei… – Chamou de novo, baixinho, quase como uma lamúria. Um pedido desesperado por atenção. Por carinho. “Por favor, por favor, fala comigo. Eu não gosto de quando você some por muito tempo.”

Ao invés de dizer, suspirou. Segundos antes de levar o dedo ao botão aonde encerraria a chamada, houve o choque. A felicidade. O disparo desesperado no peito:

- Só queria ouvir você respirar.

Tu-tu-tu-tu…

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